{"id":2512,"date":"2017-02-02T18:37:10","date_gmt":"2017-02-02T18:37:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.graphias.com.br\/novo\/?p=2512"},"modified":"2017-04-03T21:51:39","modified_gmt":"2017-04-03T21:51:39","slug":"84-entre-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/84-entre-nos\/","title":{"rendered":"84 &#8211; Entre N\u00f3s"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][layerslider_vc id=&#8221;118&#8243;][vc_column_text]\n<h2 style=\"text-align: center;\">Mostra Entre N\u00f3s de Margot Delgado e Maria Villares<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Margot Delgado e Maria Villares festejam mais um encontro nesta exposi\u00e7\u00e3o a que deram o t\u00edtulo feliz de Entre n\u00f3s. \u00c9 a comemora\u00e7\u00e3o de uma amizade constru\u00edda na cumplicidade do afeto e do of\u00edcio. As duas gravadoras dividem tamb\u00e9m a vizinhan\u00e7a com as \u00e1rvores do Alto da Boa Vista. E quando cai no jardim de Margot uma flor da sua magnolia grandiflora, ela a recolhe em desenhos ou leva-a para Maria. N\u00e3o \u00e9 uma coisa morta para ser compartilhada, mas em transforma\u00e7\u00e3o, cujo vi\u00e7o tempor\u00e1rio aos poucos se transmuta em secura perene. Ao perder seus fluidos a flor vai assumindo outra mat\u00e9ria, com novas cores e formas. E, n\u00e3o raro, vai alimentar igualmente o trabalho da amiga. No ateli\u00ea de Maria, ela se junta aos sambaquis de conchas, pedras e gravetos, outros guardados que guardam outras hist\u00f3rias. Nesta exposi\u00e7\u00e3o est\u00e3o lado a lado dois projetos po\u00e9ticos distintos, mas que t\u00eam em comum esse olhar atento para os estados mut\u00e1veis do ser.<br \/>\nInflex\u00e3o<br \/>\nMargot Delgado vive envolta em apontamentos, poemas e reflex\u00f5es. N\u00e3o por acaso em um de seus cadernos ela transcreveu em ingl\u00eas um trecho do poema \u00cdtaca, de Konstantinos Kav\u00e1fis, aqui em tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Paes: \u201cTem todo o tempo \u00cdtaca na mente. \/ Est\u00e1s predestinado a ali chegar. \/ Mas n\u00e3o apresses a viagem nunca. \/ Melhor muitos anos levares de jornada \/ e fundeares na ilha velho enfim, \/ rico de quanto ganhaste no caminho, \/ sem esperar riquezas que \u00cdtaca te desse\u201d.<br \/>\nEm suas andan\u00e7as, sob os c\u00e9us do mar ou do sert\u00e3o, Margot fotografa nuvens, como protagonista de sua viagem, sem pressa de chegar. Desde os anos 1980, as nuvens preenchem p\u00e1ginas de pequenos cadernos e inspiraram uma primeira aquarela. O assunto tamb\u00e9m virou pintura e se ampliou at\u00e9 render uma instala\u00e7\u00e3o em 1993, em que um c\u00e9u aquarelado de 6 metros quadrados ocupava todo o v\u00e3o do pr\u00e9dio da Santa Marcelina.<br \/>\nO que ela mostra agora s\u00e3o sequ\u00eancias de imagens captadas pela m\u00e1quina fotogr\u00e1fica e migradas para 16 pequenas matrizes de cobre. Essas fotogravuras, em v\u00e1rias grada\u00e7\u00f5es de negro, foram impressas em papel de arroz japon\u00eas feito \u00e0 m\u00e3o, uma seguindo a outra como uma linha no horizonte, fotogramas de um document\u00e1rio em preto e branco. Outra s\u00e9rie menor foi tingida por amarelos solares. O suporte sutil mostra-se digno dessas massas ef\u00eameras, em constante transforma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa impress\u00e3o, as matrizes s\u00e3o \u00e0s vezes sobrepostas, as posi\u00e7\u00f5es trocadas, criando indefini\u00e7\u00f5es, \u00e1reas de sombra, imagens infletidas. Os recursos da t\u00e9cnica servem ao interesse da artista em relativizar o foco, em criar certa fric\u00e7\u00e3o entre o ser e o nada, confundindo o olhar que ora v\u00ea nuvens, ora mar\u00e9s ou rochas. Margot pode partir do real, mas o transforma em realidades escorregadias, encobertas por v\u00e9us que suspendem as certezas. Para ela, \u201ca representa\u00e7\u00e3o \u00e9 um mist\u00e9rio\u201d e o trabalho se faz sobre a gama dos sentimentos do outro.<br \/>\nSeu tempo \u00e9 el\u00edptico, volta-se frequentemente ao passado, a elabora\u00e7\u00f5es anteriores, para retomar ideias e deix\u00e1-las novamente em aberto. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma maneira de refletir sobre o caminho j\u00e1 percorrido, mas de acenar com outras possibilidades. Para isso ela se utiliza de velaturas, entona\u00e7\u00f5es, inflex\u00f5es, que, como ensina o dicion\u00e1rio, s\u00e3o \u201cdesvios da posi\u00e7\u00e3o normal\u201d.<br \/>\nNas vitrines desta exposi\u00e7\u00e3o est\u00e3o fotografias que Margot fez de trabalhos anteriores, \u00e0s vezes recortes, colagens ou detalhes ampliados, e que foram impressas em papel Hahnem\u00fchle, usando para isso os recursos de m\u00e1quinas copiadoras. Ao lado dessas delicadas manchas po\u00e9ticas, desenhos, aquarelas e poemas contam um pouco da natureza da artista e de seu processo de cria\u00e7\u00e3o. Amorosamente atenta \u00e0 vida e \u00e0s suas manifesta\u00e7\u00f5es, seu bal\u00e9 sugestivo de nuvens envolve a todos os viajantes solit\u00e1rios, predestinados a chegar.<br \/>\nEm um dos trabalhos, oculta por um v\u00e9u branco, pode-se ler a palavra \u201csaudade\u201d. Na pequena aquarela, o v\u00e3o entre as criaturas em negro \u00e9 quase um grito e em um de seus poemas ela pede: \u201dvoc\u00ea pode me dizer uma vez mais \/ aquelas palavras que me faziam \/ voar?\u201d.<br \/>\nVera d\u2019Horta \/ mar\u00e7o 2015[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artistas: Margot Delgado e Maria Villares.<br \/>\nPer\u00edodo: 14\/04 a 16\/05\/2015. &#8230; <a class=\"cz_readmore\" href=\"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/84-entre-nos\/\"><i class=\"fa fa-angle-right\" aria-hidden=\"true\"><\/i><span>Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1758,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[621,622,623],"tags":[],"class_list":["post-2512","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-621","category-margot-delgado","category-maria-villares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2512"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2512\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3571,"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2512\/revisions\/3571"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/graphias.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}